Megadeth | Megadeth (2026)
Despedidas nunca são fáceis,
e isso se aplica a tudo: desde pessoas que amamos até projetos que contribuíram
para o nosso crescimento. Assim, julgo não ser exagerada a afirmativa de que o
fim de uma banda acaba por representar uma perda dolorosa, ainda mais se o
grupo o acompanhou por anos, compondo a trilha sonora de sua vida.
Hoje, dia 23 de janeiro de 2026, marca o lançamento do último disco de estúdio do “Megadeth”, autointitulado. Por mais que a banda tenha expressado há tempos o desejo de se aposentar dos palcos, isso não torna as coisas mais fáceis para os fãs.
A presente resenha será diferente das demais. A análise, que normalmente é permeada por um tom sentimental em relação aos discos sobre os quais escrevo, seguirá uma vertente completamente emocional, sendo esta uma pequena homenagem a uma banda que me acompanhou por longos anos.
Portanto, vamos falar de Megadeth, o trabalho final de uma das maiores bandas de thrash metal do mundo.
Hoje, dia 23 de janeiro de 2026, marca o lançamento do último disco de estúdio do “Megadeth”, autointitulado. Por mais que a banda tenha expressado há tempos o desejo de se aposentar dos palcos, isso não torna as coisas mais fáceis para os fãs.
A presente resenha será diferente das demais. A análise, que normalmente é permeada por um tom sentimental em relação aos discos sobre os quais escrevo, seguirá uma vertente completamente emocional, sendo esta uma pequena homenagem a uma banda que me acompanhou por longos anos.
Portanto, vamos falar de Megadeth, o trabalho final de uma das maiores bandas de thrash metal do mundo.
Como ocorreu meu primeiro contato com o gênero? Gostaria muito de apresentar uma história fantasiosa: a de que ao entrar em uma loja de discos, fiquei hipnotizado por uma capa e, assim, conheci o thrash metal. Porém, a realidade é distinta; como a grande maioria, a primeira banda que descobri do gênero foi o Metallica.
E aqui surge outra surpresa, não conheci o Megadeth em razão da rixa travada entre as bandas, ou melhor, entre Dave Mustaine e o Metallica. Após passar alguns anos ouvindo apenas Metallica, me considerando um verdadeiro metalhead, não demorou muito para surgirem amizades com esse mesmo espírito e, entre elas, conheci um jovem que se julgava um profundo conhecedor da banda de Mustaine e companhia.
Depois de algumas indicações, como "99 Ways to Die" e "The Right to Go Insane", fui desbravando a discografia da banda, que me surpreendia pela agressividade e pelo vocal peculiar. Confesso que nunca pertenci ao grupo que compara o vocal de Mustaine ao de um pato, mas dizer que, no início, isso não me causou estranheza seria mentira.
Por volta dos meus quatorze anos fui presenteado com um CD do álbum “Killing Is My Business... and Business Is Good!” (1985). Ouvi esse disco incessantemente e, a partir daquele momento, o Megadeth deixou de ser apenas uma banda comum para o jovem Vinex, tornando-se uma figura carimbada em minha discografia.
Curiosamente, algo que sempre me intrigou foi a história da banda, principalmente a personalidade de Mustaine e as consequências que sua autoridade avassaladora causaram ao grupo. O mais impressionante é que, mesmo com todos os percalços, desde a dependência química até a troca constante de integrantes, a banda possui uma das discografias mais sólidas do gênero (ignoremos o álbum “Risk”, de 1999, tudo bem? Risos).
A regularidade que o Megadeth apresentou ao longo de sua carreira reflete-se no conteúdo de seu último álbum. Não pretendo ser leviano e classificá-lo como um dos melhores do grupo, pois seria um absurdo; na verdade, tenho uma opinião um pouco ácida sobre este trabalho de despedida.
Em seu ato final, é possível perceber o Megadeth recorrendo à velha "receita de bolo" que funcionou muito bem em discos como “Endgame” (2009) e “Th1rt3en” (2011). O vocal de Mustaine nitidamente não é mais o mesmo, o que representa um ponto de fragilidade para a obra; contudo, a banda está muito bem ensaiada. Teemu Mäntysaari é um excelente guitarrista e parece executar com perfeição a fórmula "Megadeth". James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria) não ficam atrás - o grupo sempre esteve municiado dos melhores.
A capa do álbum é um ponto de destaque, promovendo um reencontro do clássico Vic Rattlehead com os fãs. A arte é predominantemente branca, desde o logotipo da banda até o terno e as feições do tradicional mascote, que se encontra parcialmente em chamas. Particularmente, gostei muito do resultado final.
Sobre as canções, como adiantado há pouco, não vejo excepcionalidades. Faixas como "Tipping Point", "Let There Be Shred" e "Made to Kill" são exatamente o que esperamos de um disco do Megadeth.
Gostei bastante das músicas que reduziram um pouco o tom, como "I Am War", "The Last Note" e "Obey the Call". Sinto que, em composições com riffs mais pesados, porém um pouco mais lentas, a voz de Mustaine consegue se sobressair melhor, o que me agrada muito. "I Don't Care" é uma faixa que destoa das demais, tendo as linhas de baixo e de guitarra como pontos de destaque.
Por fim, o disco encerra com uma das faixas que mais me surpreendeu, tanto positiva quanto negativamente, o cover de "Ride the Lightning", do Metallica. Positivamente, destaco a escolha da canção, que é uma das minhas favoritas; a parte instrumental ficou excelente. Em contrapartida, o ponto negativo reside no vocal de Mustaine, que simplesmente não se encaixou bem na composição.
Reconheço que minha análise em relação ao trabalho final do Megadeth é, até certo ponto, rasa. No momento em que escrevo esta resenha, ouvi o álbum apenas duas vezes, sendo impossível adentrar em pormenores com tão poucas audições. Não obstante, seguindo o velho ditado "o que vale é a intenção", eu, como grande admirador da banda jamais poderia deixar passar um lançamento desse porte em branco.
Se eu tivesse que apresentar um veredito final, seria este: o Megadeth encerra seu legado com chave de ouro. Não vejo este trabalho como algo grandioso, com hits que perdurarão junto ao legado histórico da banda; pelo contrário, entendo que, com o passar dos anos, este disco será lembrado primordialmente como o ato final do grupo.
Todavia, uma coisa é inegável, o álbum traduz o que foi o Megadeth em toda a sua trajetória - uma banda fiel aos seus princípios e aos seus fãs.
Gostaria de registrar meus mais sinceros agradecimentos a: Chris Poland, Jeff Young, Marty Friedman, Al Pitrelli, Glen Drover, Chris Broderick, Kiko Loureiro, Teemu Mäntysaari, Gar Samuelson, Chuck Behler, Nick Menza, Jimmy DeGrasso, Shawn Drover, Chris Adler, Dirk Verbeuren, David Ellefson, James LoMenzo e, claro, a ele, Dave Mustaine.


Vida longa ao Deth!
ResponderExcluirSó nós sabemos como foi o primeiro contato com essa banda incrível, o qual aconteceu basicamente ao mesmo tempo.
Fecham a discografia de maneira sincera e com um puta som pedrada na orelha.
Agradecimento eterno aos envolvidos nesse obra prima durante 40 anos