Priestess | Hello Master (2005)

As resenhas que aqui são escritas, não carregam o peso de um crítico musical, em verdade, elas estão muito longe de estabelecerem uma relação de critica entre quem a escreve e a obra analisada.
A base para todas as resenhas que realizei desde o início desse blog, é a minha vontade de expressar as minhas experiências com as mais diversas bandas com que tive contato.
A ideia, não é estabelecer um exame técnico sobre um grupo, estilo ou álbum, mas sim, demonstrar como cheguei naquele artista, meu primeiro contato, minha relação com seu disco. Sempre me fascinou pensar que mais pessoas pudessem ter uma conexão tão sentimentalista com música, assim como eu.
Regressando a minha infância, a música sempre esteve presente, contudo, nunca recebeu papel de destaque até meus oito anos, quando descobri o rock and roll. Assim, poderia criar a história mais mirabolante e romântica com relação às minhas primeiras descobertas, narrando um possível show do Iron Maiden que passará na televisão, ou então, o achado de discos perdidos de meu pai, o que seria clichê demais.
Em meados de 2009, eu estava no auge de uma infância feliz. Àquela altura, minha vida se resumia em apenas dois atos - jogar bola e jogar video game. Dentre os jogos que retinham minhas horas valiosas de estudo, um ganhou evidência imediata, se tornando o jogo responsável por "mudar a minha vida". Estou falando dele, o lendário Guitar Hero III: Legends of Rock.
Passados os anos, não consigo imaginar nenhuma outra obra que tenha me impactado de forma tão severa como esse jogo. Inimaginável pensar como um simples jogo de videogame pode resultar em uma mudança tão severa, capaz de dar um propósito diferente à sua vida.
Em um primeiro momento, soa totalmente exagerada e desproporcional a afirmativa acima, mas vamos aos fatos, Guitar Hero III me apresentou para nada mais nada menos que: Kiss, The Who, Black Sabbath, Guns N' Roses, ZZ Top, Scorpions, Slayer, Iron Maiden, Metallica entre outros monstros sagrados.
Foi assim que aconteceu o meu primeiro contato com a banda canadense Priestess. O grupo, fundado em 2002 pelo vocalista e guitarrista Mikey Heppner, ganhou grande notoriedade com a introdução de sua música "Lay Down" no jogo.
Mesmo que a banda não seja merecedora da alcunha de "Legends of Rock", uma coisa é inegável: o som faz jus ao bom e velho rock and roll. Emprego o termo "velho", em razão da sonoridade do grupo ser normalmente vinculada a bandas de hard rock dos anos setenta.
Visando uma apresentação rápida ao som da Priestess, hoje vamos conversar sobre o vigoroso "Hello Master" lançado em 18 de outubro de 2005.


Hello Master apresenta todas as características necessárias para ser uma figurinha carimbada em minha discografia pessoal. Primeiramente, o álbum é direto, sem rodeios, com riffs básicos e limpos, um vocal rasgado (o que não significa dizer desafinado) e com excelentes refrões.
A banda, desde suas origens, sempre teve seu som constantemente comparado com o de outros grupos de notório sucesso nos anos setenta. Muito dessa relação pode ser justificada pelas características que mencionei há pouco, principalmente quando levado em conta o período de atividade da banda. Estando na ativa de 2002 a 2012, momento em que o Nu Metal viveu seu apogeu comercial, seria fácil o grupo se destacar pelo simples fato de "nadar contra a maré".
Antes de sua introdução no jogo Guitar Hero III, a Priestess começava a ganhar certa notoriedade, ainda que fora do mainstream, como banda de apoio nas turnês de Motörhead no Canadá, Megadeth no Reino Unido e Black Label Society na América do Norte. Por óbvio, a inclusão de Lay Down no game da franquia Guitar Hero potencializou de forma considerável o nome do grupo no mercado. 
Infelizmente, a banda canadense se aventurou de forma breve em estúdio, lançando, ao longo de sua carreira de pouco mais de dez anos, apenas dois álbuns - "Hello Master" (2005) e "Prior to the Fire" (2009). O segundo apresenta uma mudança quase que radical no som do grupo, aproximando-o muito mais de um "metal industrial", o que pouco me agrada.
Sobre Hello Master, inicialmente o disco contava com uma capa no mínimo esquisita, que, na minha opinião, transmite uma ideia totalmente diferente do som que estamos prestes a ouvir. Por isso, a banda optou por trocar a arte, contando com a ajuda do ilustrador Arik Roper. 
Enquanto a primeira versão apresentava a banda ao centro, com ilustrações em sua volta, a segunda parte para algo mais "simples", mostrando um pôr do sol junto a um desfiladeiro, sendo que ao centro, há uma mão pairando sobre a paisagem.


O disco abre com "I Am the Night, Colour Me Black", um verdadeiro chute na porta. A agressividade transmitida pela música é um excelente cartão de visitas para o ouvinte.
Em seguida, somos atingidos pelo poder de "Lay Down". Hoje, escutando a obra atentamente, entendo não haver qualquer outra música capaz de transmitir com maior maestria a sonoridade do grupo.
Algo que me agrada em muito nesse disco é como a banda está "ensaiada". Todos os instrumentos estão extremamente conectados, não sendo possível extrair um "ponto fora da curva". Porém, é impossível não mencionar o trabalho realizado por Mikey Heppner frente aos vocais.
A terceira faixa, "Run Home", é de longe a minha favorita. Grande refrão, acompanhado de uma construção rítmica incrível. Neste ponto, gostaria de destacar as composições da obra como um todo, sendo essas feitas em sua maioria por Heppner, que se mostra um grande letrista.
A canção "Talk to Her" é outra pedrada em potencial. A introdução de bateria é matadora, mostrando como o som direto da banda poderia ter sido facilmente a chave para o seu sucesso. A música conta com um videoclip, assim como I Am the Night, Colour Me Black e Lay Down, sendo o vídeo de Talk to Her o meu favorito dentre os três.


Breve menção às canções "Everything That You Are" e "No Real Pain", das quais me limito a dizer que são "legais". Talvez a única crítica que eu tenha a tecer a Hello Master, seja justamente seu ponto mais forte - a simplicidade.
Por vezes, em razão de possuir riffs muito simples e, como mencionado a pouco, ser "básico" demais, várias faixas acabam passando desapercebidas.
A música que mais destoa de todo o repertório é "Blood". Construção rítmica remete a um som mais "moderno", sobretudo pelos vocais, que são do baterista Vince Nudo.
Infelizmente, a Priestess acabou optando por não dar continuidade em suas atividades, encerrando uma carreira de grande potencial. Para aqueles que gostam de um bom hard rock, não tenho dúvidas de que Hello Master será uma audição muito prazerosa.

Comentários

  1. Seu sentimento sobre as músicas deixa tudo com um toque diferente. Novamente, mais um texto incrível!

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  2. sempre impressionante! parabéns, tá muito bom!!

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