Iron Maiden | Fear of the Dark (1992)

A música sempre esteve presente em minha vida, e quando da minha adolescência, torna-se ainda mais forte essa relação. Todos narram que a adolescência é a fase mais importante do nosso crescimento pessoal, pois é nela que sedimentamos o nosso caráter, estabelecendo uma ideia de "como queremos ser".
Lembro que minha adolescência foi totalmente comum, sem qualquer aventura extraordinária. A época, me tornei aqueles pirralhos chatos, em que tudo é um motivo para reclamar.
Nesse período, a minha paixão por música, principalmente por heavy metal, se aflorou de maneira absurda. Minha coleção pessoal de CD's ganhava mais e mais títulos, dentre eles estavam: Black SabbathMetallicaMegadethSlayerAC/DCVan Halen entre outras bandas. Contudo, existia uma banda que era o carro chefe naquele período - Iron Maiden.
A primeira vez que segurei o apoteótico "Seventh Son of a Seventh Son" (1988) em minhas mãos e pude contemplar a todos os detalhes daquela arte se tornou uma experiência surreal. Igual, foi quando da primeira audição do disco autointitulado “Iron Maiden (1980), outro fato inenarrável.
Desde meu primeiro contato com a banda através do poderoso single "The Number of the Beast", tudo que envolvia o grupo se tornou uma verdadeira obsessão. Sempre que tinha a oportunidade tentava adicionar um novo CD da banda em minha biblioteca pessoal.
Toda a minha trajetória na música esbarra no Maiden, sendo uma das bandas mais importantes em minha vida. Sem eles, tenho certeza de que muitas das minhas memórias estariam apagadas, tendo em vista que já estabeleci laços e criei amizades somente por conta do amor que tenho pelo grupo.
Peço desculpas se a resenha até então se apresentou muito mais sobre a minha vida do que sobre o disco/banda propriamente dita, mas é praticamente impossível não o vincular de minha vida.
Hoje vamos conversar sobre um álbum que nos presenteou com um dos maiores singles da banda, sendo um dos meus discos favoritos do Maiden, estou falando de "Fear of the Dark" lançado em maio de 1992.

Acredito que não exista ninguém que não tenha escutado a faixa-título Fear of the Dark pelo menos uma vez sequer. Em 2013, com treze anos de idade, o meu conhecimento sobre o disco se resumia a sua faixa-título e ao clássico "Wasting Love". Aquela época, eu procurava escutar repetidas vezes os discos que eu tinha ao meu alcance na prateleira, então, vários títulos conheci somente depois que tinha o próprio CD.
Lembro como se fosse ontem, estava passando uma semana na casa de minha Madrinha durante as férias de julho. Nós estávamos no shopping quando entrei na rede de lojas "Americanas". Naquele tempo, os CD's do Iron Maiden custavam em média R$ 39,90 (trinta e nove reais e noventa centavos), o que significava muito dinheiro para um adolescente. Logo, tal foi meu espanto quando encontrei um exemplar de Fear Of The Dark em promoção por apenas R$ 19,90 (dezenove reais e noventa centavos).
Com o álbum em mãos, ainda tive que esperar por mais um dia inteiro até chegar em casa. O impacto que esse disco é capaz de causar aos mais desavisados é significativo, pois acredito que ele representa um trabalho bem diferente do que estamos acostumados.
Seu antecessor "No Prayer for the Dying" (1990) adotou uma postura muito mais direta, trazendo a banda para um heavy metal mais tradicional (o que me agrada muito). A julgar pelo que o grupo nos mostra em Fear of the Dark, resta evidente que No Prayer for the Dying é um disco de transição, que prepara a sonoridade do Maiden para o que estava por vir.
Fear of the Dark é definitivamente um disco de heavy metal clássico, sendo impossível estender essa classificação a qualquer outro subtítulo do gênero. Sou totalmente suspeito para falar sobre o álbum, pois ele é sem dúvidas um dos meus favoritos da banda, mas acredito que o single "Fear Of The Dark" acabou por engolir a obra em sua totalidade.
A faixa-título se tornou um verdadeiro clássico da banda e, por mais que tenha sido acompanhada por outras canções de relativo sucesso, vejo que o disco acabou sendo resumido a essa música. Obvio, tenho certeza de que aqueles mais aventurados vão mencionar "Wasting Love", "Afraid to Shoot Strangers" e "Be Quick or Be Dead", mas aqui, me atenho ao público comum.
O álbum foi produzido por Steve Harris e Martin Birch, responsável pela produção de todos os discos do Maiden desde o clássico “Killers” (1981). Fear Of The Dark marca o último trabalho de Birch antes de anunciar a aposentadoria.
Igualmente, o álbum também é o último de Bruce Dickinson, que após o seu lançamento saiu da banda para se dedicar exclusivamente a carreira solo. Dickinson apenas retornaria ao grupo em 1999.
A faixa que abre o disco é um verdadeiro chute na porta, sendo praticamente impossível não levar um susto com a introdução de Be Quick or Be Dead. A canção apresenta riffs pesados e rápidos, com Dickinson nos presenteando com um vocal extremamente agressivo. O clipe de Be Quick or Be Dead consegue ilustrar em muito o que acabo de narrar sobre a canção, recomendo que o assistam.
Outra despedida proporcionada por Fear of the Dark foi a parceria da banda com o ilustrador Derek Riggs, responsável por dar vida a Eddie em todos os álbuns até aquele momento. Segundo relatos, o grupo queria renovar a imagem de Eddie, iniciando um novo conceito com a chegada dos anos noventa, para isso, recrutaram o ilustrador Melvyn Grant.
Conforme adiantado a pouco, gosto muito do heavy metal tradicional praticado pela banda nesse álbum. Reconheço, é um disco que destoa quando comparado aos clássicos do Maiden, mas está muito longe de ser um disco ruim, muito mesmo.
O álbum segue com “From Here to Eternity”, outra canção que recebeu videoclipe. A música conta com um refrão marcante e com uma construção rítmica mais simples. Aqui, Steve Harris declara "Hell ain't a bad place", parafraseando o clássico do AC/DC “Hell ain't a bad place to be” (1977).
Afraid to Shoot Strangers é outro clássico do disco, tendo como inspiração a Guerra do Golfo (1990-1991), sendo uma das poucas canções que sobreviveram no repertório da banda após a tour de promoção do álbum, assim como Fear of the Dark. Lembro de assistir pela televisão a apresentação da canção durante o Rock in Rio de 2013.

Com uma letra poderosa, “Fear Is the Key” é sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV), tema que se encontrava em alta naquele momento, principalmente com a recente morte do vocalista Freddie Mercury, líder da banda Queen. A composição rítmica da canção é mais sombria que o habitual, mas gosto muito da transição que a música estabelece para o refrão.
Agora, peço licença para os fãs mais assíduos da banda, pois sou um dos poucos que não gosta de Wasting Love. Entendam, não acho a música ruim, mas não consigo mais a ouvir. Sendo a primeira balada do grupo, a canção também foi utilizada para a promoção do álbum, ganhando um videoclipe. Sobre o vídeo, tenho a sensação de estar vendo uma espécie de "Whitesnake das trevas" - Risos.
Judas Be My Guide” julgo ser um clássico absoluto da banda, mas infelizmente é ignorada por muitos. Letra incrível, possui meu riff de guitarra favorito.
Childhood's End” e “Chains of Misery” são as minhas queridinhas. A primeira demonstra toda a sinergia da banda, principalmente do duo Nicko McBrain e Harris. Agora, um ponto em comum de ambas as canções são seus refrãos espetaculares. O solo de Chains of Misery é impecável, sendo o meu predileto do álbum.
Weekend Warrior” outra excelente música, flutua entre a quebra de ritmos, sendo estas guiadas pelo vocal de Dickinson. A letra é sobre os "hooligans", vândalos que se dizem torcedores.
Por fim, Fear of the Dark. Não há nada que eu possa falar que seja capaz de expressar em palavras o que representa essa canção. Portanto, indico ao leitor que a escute com atenção, de preferência à noite em um quarto escuro, tenho certeza de que será uma experiência surreal.
Apenas Be Quick or Be DeadFrom Here to EternityWasting Love e Afraid to Shoot Strangers ganharam vídeos clipes, enquanto a faixa-título recebeu apenas uma versão ao vivo como single. Porém, nunca vou me esquecer de um vídeo feito por um fã e upado no YouTube, em que mostra uma compilação de cenas do filme It (It - Uma Obra-prima do Medo), adaptação de Stephen King (1990), com a canção Fear of the Dark ao fundo - Lembro de ter pesadelos por conta desse vídeo.
Reconheço que Fear of the Dark representa um trabalho que foge da fórmula Iron Maiden, sendo um álbum muito mais lembrado pela faixa-título do que efetivamente pelo seu todo. Agora, caso você nunca tenha se aventurado para além da canção título, ou então, da enjoativa Wasting Love (brincadeirinha), recomendo-lhe que dê maior atenção a esse clássico do heavy metal, tenho certeza de que se tornará um disco indispensável em sua discografia.

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