W.A.S.P. | Unholy Terror (2001)

Para o leitor de longa data deste blog, não é segredo a paixão que compartilho quando o assunto é Heavy Metal e Hard Rock. Ambos os gêneros, sem adentrar nas mais diversas ramificações existentes nos dois, são meus queridinhos quando o assunto é música, sendo fundamentais para moldar não somente meu caráter, como toda a minha personalidade musical e pessoal.
Agora, imagine uma banda capaz de fundir os dois gêneros que mencionei com maestria, de maneira a gerar certa dificuldade em determinar em qual estilo identificar o seu som. Pois bem, esse é o caso do W.A.S.P., banda que há tempos é figura carimbada na minha discografia pessoal.
Fundado em 1982, a banda tem como líder o vocalista e guitarrista Blackie Lawless, conhecido por ser um frontman caricato, muitas vezes polêmico. Não é possível distanciar a figura de Lawless ao W.A.S.P., seria o mesmo que tentar imaginar Motörhead sem Lemmy Kilmister.
O grupo americano ganhou notoriedade mundial em meados dos anos 80s e início dos 90s, graças a performances chocantes, que uniam um visual agressivo e um palco totalmente caracterizado. A estrutura montada pela banda em suas apresentações normalmente retratava um ambiente hostil, digna de um filme de terror. Procurando ilustrar o que narro, sugiro ao leitor que assista ao trecho do filme “The Dungeonmaster” de 1984, no qual a banda aparece fazendo uma breve apresentação.
Sonoridade agressiva, apresentação brutal, aliados a um líder maluco é a receita perfeita para que o W.A.S.P. se torne uma das bandas mais importantes do metal durante os anos 80s.
Conforme narrado a pouco, o estilo do grupo acaba sendo um mistério, ficando muitas vezes "em cima do muro" quando o assunto é sua classificação. Por vezes, encontramos a banda sendo definida como um Heavy Metal tradicional, mas há quem a expresse como Hard Rock, conceituando-a como um possível expoente do Glam Metal.
Deixando essa discussão para os especialistas de plantão, hoje vamos conversar sobre um disco que não representa o apogeu da banda, mas que não pode ser ignorado. Estou falando do disco "Unholy Terror" lançado em abril de 2001.

A melhor forma de entender um disco não é analisá-lo de forma isolada, mas observando a fase em que a banda vivia no momento de sua composição. O W.A.S.P. acabara de encontrar o equilíbrio com o disco “Helldorado” de maio de 1999. Óbvio, o álbum estava longe de ser um clássico como “W.A.S.P.”, “The Last Command” ou “The Crimson Idol”, contudo, mostra uma banda de volta à fórmula mágica que funcionou por anos. Antes de Helldorado, o grupo havia se aventurado em alguns experimentos, que, por mais que não deixem de mostrar a essência do quarteto, acabaram sendo trabalhos com sonoridades bem distintas, como é o caso de “Kill Fuck Die” lançado em abril de 1997.
Sobre Unholy Terror, lembro da sensação de ser atingido por um bloco de concreto quando da sua primeira audição. A banda soa muito uniforme, firme e impactante, sonoridade padrão para os discos da banda no final dos anos 90s e inicio dos anos 2000s. Esse é o último álbum a contar com o lendário guitarrista Chris Holmes, que havia regressado a banda em 1996. Assim como Lawless, Holmes é peça chave para o sucesso da banda, responsáveis por desenvolver a fórmula “Wild Child”, comum em quase todos os discos do grupo.
Não pretendo me aventurar a narrar cada canção deste álbum, até por uma falta de conhecimento técnico, mas vou expressar minha opinião (como é usual nesta página) e recomendar alguns destaques da obra.


A música “Let It Roar” que abre o disco é um excelente cartão de visitas, digna de W.A.S.P. O vocal segue uma linha muito parecida com o que vimos em Helldorado e que perduraria também no disco “Dying for the World” lançado em junho de 2002. Outra canção que se destaca por essa linha de vocal é “Raven Heart”.
Seguida por “Hate to Love Me”, essa é uma das composições que mais me impactaram por conta de sua letra ácida e profunda, algo que se tornou marca registrada de Lawless. A canção “Unholy Terror” por mais que disponha de uma melodia simples, é mais um momento de brilhantismo de vocalista. 
Por fim, o título de melhor música do álbum fica com ”Who Slayed Baby Jane?”. Construção rítmica impecável, soa como o W.A.S.P. deve soar. O refrão marcante é quase uma volta aos períodos de glória da banda, o que me agrada muito, tendo em vista que uma boa música de heavy metal/hard rock não é nada sem um belo refrão que possa ser cantado a plenos pulmões.
Confesso, sou suspeito para analisar qualquer disco lançado pelo W.A.S.P., mas sinto que Unholy Terror foi injustamente esquecido. Claro, não o coloco na mesma prateleira que os clássicos cinco primeiros discos da banda, mas está muito longe de ser uma obra ruim, me aventuro a dizer que estaria longe de ser uma obra mediana. 

Comentários

  1. Muito boa análise, fiquei curiosa para ouvir o álbum. Continue postando!!!!

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  2. Texto sensacional! Dá pra sentir o quanto você conhece e curte W.A.S.P. A forma como você contou a história do Unholy Terror e destacou as músicas ficou absurdo!!!
    É o tipo de leitura que dá vontade de ouvir o álbum! Continue escrevendo, você é muito bom com palavras e a forma que você vê a música é impressionante!!! Sucesso!

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    1. Obrigado. Fico feliz de perceber que todo o meu entusiasmo foi captado por você!

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  3. Ficou ótimo, meu caro amigo! Aguardando as próximas 🔥

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  4. Ficou incrível! O modo como vc descreve as músicas e coloca seu ponto de vista fica surreal! Esperando os próximos!

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