Ratos de Porão | Anarkophobia (1991)
Na última sexta-feira, um
pouco antes de selecionar o disco para a resenha da semana, estava dando uma
olhada na minha discografia pessoal, uma humilde coleção de compact disc
(CD), quando me deparei com
alguns títulos que marcaram a minha adolescência. Por óbvio, grande parte dos
CD’s que tenho hoje, representam anos de colecionismo, a considerar que meus gastos na adolescência eram sagradamente controlados pelos meus pais.
Dentre todos os álbuns que marcaram o início de minha jornada na música, ou melhor, no metal, encontro “Show No Mercy”, “Kill 'Em All”, “Killing Is My Business... and Business Is Good!” e os mais diversos títulos do gênero thrash metal. Lembro muito bem da minha primeira impressão com o estilo clássico que consagrou as mais diversas bandas do movimento Bay Area Thrash. A cada play novo, me sentia legal, descolado por escutar um som tão “extremo”, que fugia daquele rock and roll tradicional que pessoas “normais” estavam acostumadas.
Em paralelo, outro estilo que me agradava cada vez mais era o punk rock. Nunca vou me esquecer do meu primeiro disco do Ramones, o controverso “End of the Century”, que me abriu portas para várias outras bandas como Social Distortion, Dead Kennedys, Dead Boys e The Damned.
Basta que você leitor junte todas as peças para saber em qual grupo cheguei. Quando procuramos uma banda que tenha sua base totalmente enraizada no punk, mas que acabou migrando durante a sua carreira para uma linha mais “metal”, passando a tocar hardcore, não existe outro nome que lhe salte a mente, se não Ratos de Porão.
Voltando a minha introdução inicial, aproveitei o último final de semana para revisitar a discografia do R.D.P, dando especial atenção ao meu disco favorito da banda, o incrível e insuperável “Anarkophobia”. Sem rodeios, assim como o som da banda, a resenha de hoje é sobre essa “pedrada” lançada em janeiro de 1991.
Dentre todos os álbuns que marcaram o início de minha jornada na música, ou melhor, no metal, encontro “Show No Mercy”, “Kill 'Em All”, “Killing Is My Business... and Business Is Good!” e os mais diversos títulos do gênero thrash metal. Lembro muito bem da minha primeira impressão com o estilo clássico que consagrou as mais diversas bandas do movimento Bay Area Thrash. A cada play novo, me sentia legal, descolado por escutar um som tão “extremo”, que fugia daquele rock and roll tradicional que pessoas “normais” estavam acostumadas.
Em paralelo, outro estilo que me agradava cada vez mais era o punk rock. Nunca vou me esquecer do meu primeiro disco do Ramones, o controverso “End of the Century”, que me abriu portas para várias outras bandas como Social Distortion, Dead Kennedys, Dead Boys e The Damned.
Basta que você leitor junte todas as peças para saber em qual grupo cheguei. Quando procuramos uma banda que tenha sua base totalmente enraizada no punk, mas que acabou migrando durante a sua carreira para uma linha mais “metal”, passando a tocar hardcore, não existe outro nome que lhe salte a mente, se não Ratos de Porão.
Voltando a minha introdução inicial, aproveitei o último final de semana para revisitar a discografia do R.D.P, dando especial atenção ao meu disco favorito da banda, o incrível e insuperável “Anarkophobia”. Sem rodeios, assim como o som da banda, a resenha de hoje é sobre essa “pedrada” lançada em janeiro de 1991.
Calma, por mais que soe extremamente exagerada a afirmação de “insuperável”, tendo em vista os clássicos “Crucificados pelo Sistema”, “Brasil” e “Carniceria tropical”, talvez seja possível eu transmitir a você, leitor, o motivo de meu fanatismo.
Primeiramente, destaco que essa é uma afirmação pessoal, mesmo acreditando fielmente que não se tratar de qualquer absurdo, principalmente em relação a sua sonoridade, ponto essencial para a minha idolatria, em razão do som muito mais heavy do álbum.
Para aqueles que conhecem um pouco da história do grupo, é de conhecimento geral toda a polêmica sobre a suposta acusação de “traidores do movimento”. Inicialmente, a banda surge dentro do movimento punk paulista, que tinham como principais porta-vozes grupos como Inocentes, Cólera, Fogo Cruzado entre outras pequenas bandas que fomentavam a cena underground no Estado de São Paulo. Fundado em 1981, não demorou muito para que o R.D.P ganhasse notoriedade dentro do movimento, principalmente por tocar de forma muito mais rápida, fazendo com que o estilo punk fosse confundido com hardcore - Dai a acusação de trair o movimento. Os próprios membros do R.D.P reconhecem essa variação, contudo, pouco se fala na forma como isso realmente aconteceu: organicamente.
Ao analisar a discografia do
grupo, você consegue compreender as influências que permeavam a banda durante
aquele período: o punk de "Crucificados pelo Sistema", o metal de "Descanse em Paz", o crossover de "Brasil" e o crossover thrash de "Anarkophobia".
Importante o destaque da amizade
existente entre os membros do Sepultura e do R.D.P, amizade essa, que causou impactos diretos na sonoridade da
banda. A época, o Sepultura começava a sua jornada em busca do sucesso mundial, enquanto o R.D.P estabelecia certa notoriedade no cenário nacional, o
que influenciou em uma troca de experiências que impactou diretamente no som de ambas as bandas.
Particularmente, vejo o disco Anarkophobia como uma obra pretensiosa, apresentando uma sonoridade muito mais “heavy metal” quando comparado ao seu antecessor, "Brasil" lançado em 1989. Para ilustrar tal afirmação, não vejo melhor exemplo do que a canção que abre o disco “Contando os Mortos”. A faixa tem uma duração de quase cinco minutos, com várias bases de guitarra que denotam uma estrutura muito mais complexa do que estamos acostumados quando o assunto é R.D.P.
Particularmente, vejo o disco Anarkophobia como uma obra pretensiosa, apresentando uma sonoridade muito mais “heavy metal” quando comparado ao seu antecessor, "Brasil" lançado em 1989. Para ilustrar tal afirmação, não vejo melhor exemplo do que a canção que abre o disco “Contando os Mortos”. A faixa tem uma duração de quase cinco minutos, com várias bases de guitarra que denotam uma estrutura muito mais complexa do que estamos acostumados quando o assunto é R.D.P.
Não tenho dúvidas que esse é um dos melhores trabalhos do guitarrista Jão. Por mais que já tenha acompanhado diversas falas do próprio guitarrista sobre não ser o maior admirador do álbum, isso não afasta seu grande trabalho na obra. Nessa linha, a canção “Ódio 3”, que começa com uma introdução espetacular em violão. é interrompida por um riff matador, apenas para lembrar que se trata de um disco do R.D.P.
O álbum apresenta um dos maiores clássicos da banda “Igreja Universal”, sendo evidente toda a sinergia existente entre João Gordo e Jão, o que se perdura na banda até os dias atuais.
Sobre João Gordo, líder e membro de maior notoriedade do grupo, esse ostenta uma linha de vocal muito similar a dos discos anteriores, mas cabe evidenciar o papel que exerce como principal compositor da banda. Músicas como “Contado os Mortos”, “Morte ao Rei” e “Escravo da TV” tem frases fortes e marcantes, sendo excelentes demonstrativos da vivacidade que Gordo coloca em suas letras.
O destaque de Anarkophobia
fica com a canção “Sofrer”, construção rítmica e lírica impecáveis. Lembro da sensação
de ouvir a música pela primeira vez, e nossa, que impacto. Virou um verdadeiro
hino da minha adolescência - Não penso no futuro; Só tenho incertezas; O que
resta da minha vida; É só desilusão; Não quero sua ajuda; Por favor.
Como nem tudo são flores, uma parte negativa do álbum fica com a bateria de Spaghetti. Sinto que o instrumento é um mero acompanhamento para o som, parecendo extremamente sem graça, servindo apenas para “cumprir tabela”. Vale lembrar que Anarkophobia foi o último disco gravado por Spaghetti. Durante as gravações, que ocorreram em Berlim, na Alemanha, a relação entre banda e baterista acabou se desgastando bastante, o que ocasionou sua saída quando do retorno do grupo ao Brasil.
Como nem tudo são flores, uma parte negativa do álbum fica com a bateria de Spaghetti. Sinto que o instrumento é um mero acompanhamento para o som, parecendo extremamente sem graça, servindo apenas para “cumprir tabela”. Vale lembrar que Anarkophobia foi o último disco gravado por Spaghetti. Durante as gravações, que ocorreram em Berlim, na Alemanha, a relação entre banda e baterista acabou se desgastando bastante, o que ocasionou sua saída quando do retorno do grupo ao Brasil.
O saudoso Jabá apresenta uma
linha de baixo interessante, sendo destaque nas faixas “Mad Society” e “Commando”, cover de Ramones.
Ratos de Porão é certamente uma das maiores bandas do metal brasileiro, não podendo em hipótese alguma ser ignorada por aqueles que amam a história da música brasileira. O disco Anarkophobia talvez não seja o recomendado para conhecer verdadeiramente o som da banda, mas tenho certeza de que representa um dos melhores trabalhos do grupo, se não, conforme disse anteriormente, o melhor.
Ratos de Porão é certamente uma das maiores bandas do metal brasileiro, não podendo em hipótese alguma ser ignorada por aqueles que amam a história da música brasileira. O disco Anarkophobia talvez não seja o recomendado para conhecer verdadeiramente o som da banda, mas tenho certeza de que representa um dos melhores trabalhos do grupo, se não, conforme disse anteriormente, o melhor.


FODA DEMAISSSSS!!!
ResponderExcluirMuito obrigado.
ExcluirTexto sensacional! Detalha diversas obras da banda, apresentando curiosidades fascinantes. É perceptível o carinho e a admiração pela banda, tornando a leitura ainda mais envolvente. Incrível!
ResponderExcluirMuito obrigado pelo comentário e pelas considerações tão assertivas.
ExcluirSensacional. Adorei à leitura!!! Recomendo a todos!!!
ResponderExcluirMuito obrigado pelo carinho.
ExcluirQue absurdo!! Dá pra ver o quanto você manja e é apaixonado pelo som do Ratos. Curti demais como você contou a evolução da banda e destacou TODAS as influências no Anarkophobia. O texto tá leve, bem escrito e prende do começo ao fim. Sério, tá mandando muito bem no blog!!!! Já tô ansioso pra próxima resenha. Continua assim, tá ficando cada vez melhor!
ResponderExcluirMuito obrigado pelo comentário e pelo apoio, fico muito feliz por toda a percepção a partir da resenha.
Excluir👏👏👏👏👏👏👏
ResponderExcluirObrigado pelo carinho.
ExcluirParabéns Vinicio! Tá sensacional a resenha!
ResponderExcluirMuito obrigado pelo carinho.
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