Rose Tattoo | Scarred for Life (1982)

A escola de rock australiana pouco referenciada aqui neste blog, é uma das mais importantes do mundo e da minha discografia pessoal. Por mais que o país não seja frequentemente lembrado quando o assunto é música, este nunca poderá ser ignorado pelo grande público, principalmente por mim. Duas das bandas mais importantes da minha vida são originárias deste peculiar Estado – AC/DC e Airbourne.
O AC/DC é sem dúvida alguma o maior expoente do gênero, não somente da Austrália, mas do mundo. Enquanto o Airbourne nos oferece o mais puro rock n’ roll em pleno século XXI. Porém, existe uma banda que tem uma importância sui generis no cenário australiano, estou falando do Rose Tattoo.
A banda originalmente fundada em 1976, é considerada um dos grupos mais influentes da Austrália, e apesar da baixa visibilidade nos dias atuais, desempenhou papel imprescindível para o desenvolvimento do rock n’ roll no novo continente, não só isso, ajudou a impulsionar a cena hard rock oitentista que viria a surgir nos Estados Unidos.
Logo, a fim de expressar toda a minha admiração pela lendária banda australiana, escolhi a obra que mais me agrada da curta discografia do grupo. Hoje vamos falar sobre “Scarred for Life”, lançado em outubro de 1982.  
O meu primeiro contato com o som da banda foi sem saber que se tratava do Rose Tattoo. Acredito que a afirmação ante exposta ficou meio confusa, mas posso explicar – A primeira vez que escutei o trabalho do Rose Tattoo foi pela música Nice Boys, todavia, esta se tratava da versão cover gravada pelo Guns N’ Roses, lançada no EP “Live ?!*@ Like a Suicide” de 1986. Lembro que tinha aproximadamente 10 anos de idade, então, não fazia a menor ideia de que a segunda faixa do EP era um cover. 
Posterior a minha descoberta, fui pesquisar mais sobre a banda, que nesta altura já havia marcado presença em algumas leituras, sendo referenciada em artigos e livros, sem um exemplo o livro “AC/DC rock ‘n’ roll ao máximo: A história definitiva da maior banda de rock do mundo”. O primeiro disco da banda que eu escutei foi o auto-intitulado “Rose Tattoo” de 1978.
Por mais que o álbum de estreia da banda tenha sido o seu auge, tanto sonoro como comercial, o trabalho que mais me salta aos olhos é justamente Scarred for Life. Adianto que o disco está longe de ser ruim, contudo, é perceptível que o álbum foi lançado com um certo “atraso”, afirmação que vou clarificar mais a frente.


Quando falamos em Rose Tattoo, é impossível não mencionar outro super grupo já referenciado na presente resenha – AC/DC. Foi graças a banda de Bon Scott e companhia que o Rose Tattoo assinou o seu primeiro contrato com a produtora Alber Productions. Outra curiosidade, é que a banda teve todos os seus disco produzidos por Harry Vanda e George Young, que assim como George Martin é comumente referenciado como “Quinto Beatle”, poderia receber a alcunha de sexto membro do AC/DC pela sua participação mais que direta no trabalho da banda. 
Falando agora exclusivamente de Scarred for Life, o disco apresenta uma base muito similar aos outros dois primeiros trabalhos da banda. É um álbum muito compacto, de modo que a primeira música do disco é um prelúdio das demais canções apresentadas ao longo da obra. Várias das composições que compõem o álbum apresentam fortes influências de blues, sendo exemplos "Juice On the Loose", "Dead Set", "Texas" e "Revenge".
Scarred for Life não é um trabalho inovador, capaz de fazer a banda alçar novos voos, tanto, que a turnê de divulgação do álbum nos Estados Unidos não foi exatamente um sucesso. Anteriormente eu havia afirmado que o disco teria sido “atrasado”, me proponho a elucidar tal afirmação - Por mais que o álbum disponha de um som legal, a sonoridade do Rose Tattoo estava fora das exigências do mercado fonográfico à época.
Neste sentido, caso o álbum fosse lançado em meados dos 70’s, me aventuro a afirmar que a sua recepção seria totalmente diferente. Assim, a sensação que eu tenho ao escutar o terceiro trabalho do Rose Tattoo, é que se trata de um bom disco, mas que não está enquadrado aos moldes da época. Em 1982, bandas como Van Halen começavam a ditar um padrão dentro da indústria, padrão este, totalmente antagônico ao som do grupo australiano, que tinha uma sonoridade muito próxima ao hard rock dos anos 70's. 


Ainda, mesmo que o trabalho não tenha sido um grande sucesso comercial, destaco que Rose Tattoo é uma banda que não pode ser ignorada pelos amantes do rock n’ roll. Caso você seja alucinado pelo rock setentista, o grupo do vocalista Andy Anderson é um prato cheio. Minhas canções favoritas do disco são Scarred for Life, um hard rock como manda o manual, além de Dead Set.
Sendo você um rockeiro que gosta de um rock clássico, tenho certeza que esse som é para você. Ressalto que nunca devemos confundir sucesso comercial com qualidade musical, grande parte dos artistas de hoje em dia são a prova de que um ponto não tem correlação com o outro. 
Portanto, fica a dica – Uma das bandas mais importantes da história do rock, que influenciou outros grandes grupos como Guns N’ Roses e Airbourne, e que por uma infelicidade não conseguiu atingir o patamar correspondente ao seu potencial. Caso nunca tenha escutado nada da banda australiana, Scarred for Life pode ser uma excelente opção.

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