Black Sabbath | Technical Ecstasy (1976)

Existem bandas que são basilares para a criação/sedimentação de determinado gênero musical. Igualmente importantes para formar nosso próprio gosto musical. Particularmente, me considero um alucinado por Heavy Metal, apreciando desde bandas do movimento New Wave of British Heavy Metal, até bandas que se aproximam de uma linha muito mais próxima ao Power Metal.
Hoje eu vou falar da banda que é considerada o “Pai do Heavy Metal”, título esse, atribuído de forma indiscutível. Vamos conversar sobre Black Sabbath, abordar mais precisamente o seu sétimo disco de estúdio, Technical Ecstasy, lançado em 25 de setembro de 1976.
Apesar de ser um disco “esquecido” dentro da discografia da banda, é um álbum que tem o seu valor, mesmo que seja considerado por muitos como um dos discos mais controversos lançados pela formação clássica — Ozzy Osbourne (vocal); Tony Iommi (guitarra); Geezer Butler (baixo); Bill Ward (bateria).
Acredito que o álbum é apenas um reflexo do momento conturbado que o Sabbath enfrentava em meados de 1976, com um ambiente cheio de desconfianças e mudanças. Todos esses problemas internos acabaram impactando o novo trabalho da banda, algo que eles haviam evitado muito bem em seu disco predecessor Sabotage (1975).
As gravações de Technical Ecstasy aconteceram em Miami, no Criteria Studios, sob os cuidados exclusivos do próprio Tony Iommi. Segundo informações, Iommi passava o dia e a noite dentro do estúdio, enquanto os demais membros procuravam curtir as belas praias de Miami. Foi nesse ponto que o vício de Ozzy Osbourne com relação à bebida e a drogas acabou saindo totalmente de controle, o que seria crucial para a sua saída da banda futuramente.
Nessa época, todos do Sabbath estavam com um sentimento de: “Não podemos confiar em ninguém”. Muito desse pensamento foi em razão das diversas brigas judiciais travadas com o ex-empresário da banda, Patrick Meehan.
Aqui, também é importante entender um aspecto que era próprio do show business daquele período. Estamos falando de meados dos anos 70's, período em que a música estava passando por um momento de transição. Bandas como Queen e Foreigner ganhavam cada vez mais destaque, enquanto o movimento punk estava prestes a explodir na Inglaterra. Logo, mesmo com uma base de fãs já sedimentada, a indústria da música exigia uma certa “renovação”, o que justifica boa parte das mudanças sonoras apresentadas em Technical Ecstasy.
Por óbvio, é impossível comparar Technical Ecstasy com seus antecessores, porém, a minha ideia é tentar desmistificar alguns aspectos sobre o álbum, que apresenta pontos altos que devem ser destacados.
O disco se afasta um pouco daquela imagem sombria e aterrorizante que as demais obras apresentavam. A começar pela capa do álbum, que exibe uma relação sexual entre robôs — algo minimamente peculiar.

As letras apresentam temas variados. Aqui, destaco You Won’t Chance Me, composta por um instrumental sensacional, com Tony Iommi proporcionando um solo agressivo e impactante. Ozzy Osbourne faz uma linha de vocal marcante, característica própria do músico, que encaixa com perfeição com o instrumental melancólico que a canção apresenta em certas passagens.
A ideia não é esmiuçar todas as músicas do álbum, até porque me faltariam recursos/conhecimentos técnicos para tanto, todavia, gostaria de destacar algumas canções, como às duas baladas do disco: It 's Alright e She’s Gone.
A primeira é cantada por Bill Ward, que apresenta um excelente vocal, encaixando muito bem com a proposta da música. O meu primeiro contato com o Tecnichal Ecstasy foi justamente com It’s Alright, através do cover que o Guns N’ Roses fez da canção, cover incluído no disco ao vivo Live Era '87-'93 lançado em 1999.
She’s Gone apresenta vocais do próprio Ozzy Osbourne, no entanto, a balada dispõe de uma atmosfera muito mais sorumbática, retomando a uma das características mais marcantes do som original da banda.
O disco também apresenta canções com uma linha instrumental puxada para o Hard Rock dos anos 70’s, sendo exemplos: All Moving Parts (Stand Still) e Rock ‘N’ Roll Doctor.

No entanto, a banda brilha mesmo em Dirty Woman, com destaque especial para Tony Iommi, que mostra todas as suas habilidades em um solo marcado pela técnica — arrisco dizer que este é um dos meus solos favoritos da banda.
Quando comparado a Paranoid (1970), Master Of Reality (1971), Sabotage (1975), entre os outros clássicos do Black Sabbath, Tecnichal Ecstasy fica em evidente desvantagem, o que não significa dizer que o disco é fraco. É um excelente álbum que apesar de demonstrar alguns aspectos diferentes daquela sonoridade clássica da banda, tem passagens muito interessantes, com destaque ao desempenho de Tony Iommi e Ozzy Osbourne.
Apesar do álbum representar o início da ruína de Ozzy dentro da banda, o vocalista consegue mostrar uma versatilidade que lhe é peculiar, adequando seu vocal de forma primorosa a nova sonoridade apresentada na obra.
Se possível, escute novamente Technical Ecstasy. Procure diferenciar o trabalho dos demais, buscando entender como as mudanças que assombravam a banda na época foram capazes de influenciar diretamente no produto final. Tenho certeza que assim como eu, você também passará a enxergar a sétima obra dos pais do Heavy Metal com outros olhos.

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